“O professor que deveria ensinar justiça, mas praticava violência”
O caso que envolve o advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, preso em Porto Alegre sob suspeita de crimes sexuais contra mulheres, é mais do que chocante — é um retrato cruel da perversão do poder. Um homem que ocupava posição de destaque na formação jurídica, que coordenava pós-graduação e lecionava para alunos de graduação e mestrado, agora é acusado de transformar sua influência em instrumento de abuso.
Relatos de horror e abuso sistemático
Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, ao menos seis mulheres denunciaram abusos que teriam ocorrido entre 2013 e 2025. Os relatos são devastadores: estupros, agressões físicas durante relações sexuais, violência psicológica e manipulação emocional. Uma das vítimas afirmou ter acordado machucada após ingerir bebida oferecida por Conrado, precisando ser hospitalizada. Outra declarou:
“Fui estuprada pela pessoa que eu mais confiava.” [¹]
Esses depoimentos revelam um padrão de comportamento criminoso e predatório, que se estendeu por mais de uma década, protegido pelo silêncio e pela posição social do acusado.
A máscara caiu — e a demissão veio
Após a repercussão do caso, Conrado foi demitido da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), onde atuava como professor e coordenador. A instituição, em nota, afirmou que o desligamento foi administrativo e que segue fiel aos seus princípios de respeito à dignidade humana.
Justiça e responsabilidade
A defesa do professor alega que a prisão foi desproporcional e que ele não teve oportunidade de apresentar provas. Mas diante da gravidade dos relatos e da quantidade de vítimas, o que se espera é que a Justiça não se curve à reputação acadêmica, mas sim à verdade dos fatos e à proteção das mulheres.
O saber não absolve o abuso
Este caso é um alerta: autoridade não é sinônimo de impunidade. Quando um educador se transforma em agressor, a sociedade precisa reagir com firmeza. A Justiça deve ser implacável com quem usa o conhecimento para subjugar, e a academia deve ser vigilante para que seus espaços não sejam cúmplices do silêncio.
Apesar da evidência das acusações, por determinação da Justiça, professor ficará livre, usando tornozeleira.